Congregação de Salmonel – Operação Tarrafal

Janeiro 31, 2007

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Em Agosto de 1970, Emanuel Monhé, Salomé Monhé e Gongunhanha Monhé, famosos terroristas, de naturalidade Cabo-verdiana, preparavam-se para tomar de assalto o Estabelecimento de Correcção Penal do Tarrafal, na Ilha de Santiago, para libertar o seu meio irmão da parte do pai, Joaquim da Silva Monhé, detido pela violação de duas galinhas, no ano anterior. A operação de declarada insurreição, estava planeada para o dia 15 de Agosto de 1970. Necessitando os pérfidos terroristas de provisões para a campanha e como era sabido na altura, as provisões das lojas a que havia acesso na ilha eram muito escassos, resolveram então encomendar 24 bicos e 2 cacetes por carta, a uma famosa padaria de Odemira. Ficando curiosa com tão estranho pedido, que em Odemira ninguém comprava mais do que 10 bicos na sua padaria, por estes serem 5 cêntimos mais caros que o normal, Marianela Porcalhota inquiriu aos meliantes o porquê de 24 e não 20, ou mesmo 10 bicos, para não falar nos cacetes. Ficou a saber que os mantimentos se destinavam para que os patifes permanecerem acoitados durante 3 ou 4 meses, sem necessidade de ir às compras. Tendo de imediato a percepção de que algo grave estaria para acontecer, resolveu ir bazofiar toda a história a Aristides Gorgulhão, tendo este partido de imediato para a colónia juntamente com o seu agregado Albano Taborda.Após a sua chegada, Aristides manteve-se à porta do correio no dia da chegada da encomenda e seguiu os meliantes até ao lugar onde estavam escondidos. Após um cerco de 6 meses, os biltres já sem provisões, fortemente armados com canas da índia, admiravelmente aguçadas na ponta e catanas da melhor qualidade que era possível arranjar em Cabo Verde, após breves escaramuças com Albano Taborda, que lhes aplicou vários BodySlams, Dropkicks e alguns Bearhugs renderam-se à brigada de intervenção chefiada por Aristides Gorgulhão.Na foto, para além dos irmãos Monhé, encontram-se dois primos e um sobrinho que os coadjuvavam no ataque.

Ilha de Santiago – Fevereiro de 1971


Congregação de Salmonel – 24 de Abril de 1974

Janeiro 31, 2007

24 de Abril de 1974

Bezunta, líder sindical especialista em sabotagem. Depois de uma reunião de capitães em Bissau (Agosto/73) houve uma nova reunião em Sobral (Alcáçovas) em Março de 1974. Foi criado o Movimento das Forças Armadas e alguns documentos ficaram disponíveis para circular clandestinamente pelos núcleos regionais de resistência. Mas é só a 24 de Março que é feita a decisão de derrubar o governo pela força. Toda a estratégia foi montada e, até ao mais ínfimo pormenor, tudo estava preparado. Dia 24 de Abril de 1974 seria o dia da grande revolução. No entanto havia ainda a resolver um problema técnico que tinha a ver com a sincronização do início da revolução.

Bezunta já se havia retirado das manobras principais de sabotagem e operava com relativo sucesso um batatal para os lados de Salvaterra de Magos, que abastecia grande parte dos comerciantes locais. Por vezes ainda fazia de mensageiro em operações mais secretas. A técnica era escrever a mensagem numa batata usando cola. Depois a batata era polvilhada de pó branco. No destino bastava soprar para a batata e o pó soltava-se à excepção do sítios onde havia cola. E as mensagens eram assim muitas vezes transmitidas.

Contactado pelo Movimento das Forças Armadas, Bezunta sentiu-se orgulhoso com a tarefa que lhe havia sido incumbida: sincronizar as ocorrências que iriam depor o regime. Analisando a cobertura das rádios nacionais, escolheu um conjunto de locais e frequências onde iria ser transmitida uma música que dava o sinal às hostilidades. Depois consultou um conjunto de músicas que poderiam dar o mote. Enquanto comia fruta de um cesto, ia passando em revista todos os Singles de 78 rotações.

Bezunta tinha uma fobia que escondia de toda a gente, um terrível fobia a pêssegos. Mesmo o mais inofensivo pêssego lhe provocava um tenebroso pavor que podiam mesmo a provocar alguns descuidos intestinais embaraçosos. Na altura em que saboreava uma deliciosa pêra abacate, meteu a mão na caixa e puxou um pêssego. O ataque de pânico fez com que derrubasse algumas pilhas de discos que se misturaram. Recuperado, voltou a organizar tudo. Alguns discos ficaram misturados, mas não se preocupou muito com isso.

O tempo foi passando e Bezunta ia-se distraíndo com umas palavras cruzadas da revista clandestina “Garota Marota” e perdeu algum interesse nos discos. Entretanto alguém lhe ligou com a indicação que iria passar alguém para trazer as instruções da música a passar. Bezunta, aflito, começa a escolher rapidamente um disco pela capa. Sem tempo para ouvir, tira um single de Caetano Veloso entitulado “Buceta esperando cenouras”. Encantado com o seu próprio sentido de ironia, acabou por escolher este porque seria um trocadilho engenhoso que embaraçaria Marcelo Caetano, pela similaridade dos nomes.

No dia 23 de Abril estava tudo preparado. Mas havia de ser um estagiário que chamou a atenção para a nacionalidade de Caetano Veloso. A senha que daria início à revolução teria que ser um símbolo de unidade nacional, não uma importação brasileira. O estagiário levava debaixo do braço um LP de Zeca Afonso para a incineradora, mas acabou por ser esse o escolhido devido à pressão da data.

A revolução havia de ser adiantada um dia devido à necessidade de enviar 342 pombos correio com a informação da nova senha de arranque. O estagiário recusou mais tarde uma menção honrosa porque tinha medo que lhe encravasse a carreira e ele não queria mudar o nome artístico de Luis Pereira de Sousa para Alberto Cajú, como lhe havia sido sugerido pelo Movimento das Forças Armadas.

Foto: Estúdio Privado de Bezunta (Abril de 1974)


Congregação de Salmonel-Relatório de Sevícias

Janeiro 29, 2007

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Conclusões do Relatório de Sevícias de Março de 1967

Forte de Peniche, Março de 1967 

1-      Fica provado de que o detido nº2365 Manuel Tinto Borba, sofreu de uma grave contusão na fonte esquerda, não por ter sido agredido pelo guarda Antonino Farrusco, como o próprio detido afirma, mas ao facto de ter escorregado na massa guisada servida ao jantar de 2ª feira, propositadamente deixada no seu caminho pelo detido nº2368 Joaquim Bagina, facto esse que provocou uma queda aparatosa desde a sala do refeitório, até à entrada da enfermaria na ala esquerda do r/chão, onde foi rapidamente examinado pelo Exº. Sr. Doutor Artur Arrebita, seis horas e meia depois. O detido aproveitou o parco tempo de espera que esteve sujeito, para se arremessar repetidamente da maca e apesar da rápida intervenção dos guardas para o apanhar, infelizmente não conseguiram evitar as fracturas nos dois braços, a fractura exposta na perna direita e os 8 dentes partidos.

2-      Quando o 2º Cabo Albertino pretendeu inquirir os restantes reclusos dos factos ocorridos, dois reclusos insistiram em se arremessar da janela do refeitório, apesar da tentativa frustrada do 2º Cabo Albertino para os conter, três escorregaram na mesma massa guisada referida no ponto anterior, indo parar dois à ala direita do r/chão e o outro ao 2º piso, corredor Sul.

3-      O detido por actividade revolucionária e incitamento à disciplina social, nº 2368, Joaquim Bagina, foi unicamente obrigado pelos guardas de serviço ao refeitório, em limpar o chão que tinha sujado propositadamente e em momento anterior à consumação dos factos. O argumento usado pelo detido para o facto de lhe faltar um braço e todos os dentes, não foi convincente pelo simples facto de que o detido não deu como provado a posse dos mesmos à data de entrada neste estabelecimento de correcção.

4-      Fica estabelecido a atribuição de um louvor de serviço e a atribuição de dois garrafões de vinho tinto ao Guarda Antonino Farrusco, pela excelência nas funções que lhe foram atribuídas, excedendo as suas funções de Guarda Adido ao Refeitório, para acompanhar o detido nº2365 à enfermaria.

5-      Fica estabelecido a atribuição de um louvor de serviço e quatro garrafões de vinho tinto ao Cabo Albertino por brio e coragem, na forma de que tentou evitar a auto flagelação dos detidos que não gostavam de massa guisada.

6-      Fica estabelecido a atribuição de seis garrafões de vinho tinto ao Exº. Sr. Doutor Artur Arrebita, pela forma extremosamente expedita a que acorreu às nossas instalações, abdicando da sua estada em serviço em casa da Srª. Dona Marianela Porcalhota, em prol da boa funcionalidade deste estabelecimento correccional.

O Director

Aristides Gorgulhão


Congregação de Salmonel – WarGames e MindTripping

Janeiro 29, 2007

WarGames e MindTripping

Bezunta, líder sindical especialista em sabotagem. Apesar de ser um líder calculista, irascível e sanguinário, Bezunta era uma alma sonhadora. Antes de acabar os planos para cada novo ataque, era invadido por sonhos de glória, mesmo acordado. Sonhava ser levado em ombros pelas Avenidas da capital, ser saudado como herói e receber favores sexuais de amáveis escuteiros. Nos seus momentos de lazer aproveitava para treinar manobras mediáticas de reconhecimento popular. É bem conhecido a bexiga de porco com a fotografia de Marcelo Caetano que usavam para aliviar o stress em jogos de futebol, mas ficou popularizado pelos treinos do saque da bandeira.

Bezunta, frequentemente bêbedo, corria pelo campo evitando os seus colegas de jogo, tentando chegar à bandeira. Era um jogo muito concorrido na altura. Quem conseguisse o melhor tempo a sacar a bandeira, era quem o iria fazer no dia da Grande Revolução. Depois voltavam aos planos de sabotagem onde frequentemente entravam em rixas que envolviam assuntos conjugais, adultério, demonstrações de virilidade e cogumelos mágicos enviados pela Frente de Libertação Feminista da Holanda.

Esta prova fotográfica foi obtida no campo de treino de Baguim do Monte, perto de Gondomar, em pleno treino do saque da bandeira.

Baguim do Monte, Maio de 1970


Congregação de Salmonel- Hora de Visita

Janeiro 29, 2007

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Aristides Gorgulhão, PIDE Alfarrabista, Director da Cadeia de Peniche de 1964 a 1968, num dos postos de vigia da cadeia de Peniche, espiando as visitas. A troco de duas latas de sardinha com tomate e uma garrafa de vinho do Dão, Marianela Porcalhota visita o sindicalista Manuel Borba, com a finalidade de lhe extrair informações acerca do paradeiro de Bezunta. Marianela Porcalhota conheceu Manuel Borba numa confraternização de Natal do Sindicato da Panificação do Sul, introduzida nestes meandros por Aristides Gorgulhão. Sob o pretexto de fornecer os produtos de panificação nas festas e reuniões de trabalho dos elementos da Congregação de Salmonel, Marianela Porcalhota, proprietária de uma padaria em Odemira, tornou-se um dos principais elementos do grupo de bufos da Policia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), que levou à detenção por delação, entre muitos, de Manuel Tinto Borba, José da Silva Cobertura (conhecido por Zé do Telhado), Joaquim Bagina e Norlinda Lopes Carago. Facilmente corrompida por sardinhas com molho de tomate, Marianela percorreu todo o país em busca de informações úteis à PIDE. Com o seu ar, meio trissomia 21, meio aparvalhado mesmo, Marianela delatava a torto e a direito, apenas para alimentar o seu infame vício de sardinhas e para que pudesse vender bicos e broa de milho 5 centavos mais caros que a tabela de venda ao publico, que não existia ninguém em Odemira que reclamasse do preço, excluindo o Cabo da Guarda, Cristálio Fanfarra Bento.


Congregação de Salmonel – Grupo Recreativo “Os Cangalhas de Alfaçoita”

Janeiro 26, 2007

Os Cangalhas de Alfaçoita

Bezunta, líder sindical especialista em sabotagem. Por vezes era necessário entrar em eventos do regime e Bezunta, profundo conhecedor das bastidores do poder, criou um grupo de cantares e folclore topo de gama, de maneira a poder-se infiltrar nos meandros das comemorações do Estado Novo. De dentro, poderia activar dispositivos que mais tarde iriam dar origem a manifestações, rebeliões ou simples matanças do porco. Poderá parecer estranho esta última opção, mas é sabido que existia um plano B para quando as coisas corriam, e esse plano B era a matança do porco. O que poderiam estar centenas de populares a fazer, armados de alfaias agrícolas e archotes? Matar um porco, claro.

Os Cangalhas de Alfaçoita chegaram a ter tanto sucesso que acabaram a fazer tournées pela Europa, onde eram apreciados pelas suas escalas arábicas adaptadas às tonalidades minhotas. Bezunta chegou também a gravar um LP a solo e abriu uma loja de ferragens em Clichy-sous-Bois, onde ganhou respeito e dinheiro como amolador de tesouras e fabricante de ferraduras para cavalos com cegueira parcial. Mas ao fim de um ano voltou à nação que clamava pela seu regresso.

Separados devido a desavenças que envolviam a contabilidade da banda e o desaparecimento recursivo de microfones a pilhas, os “Cangalhas de Alfaçoita” acabaram por dar origem a várias bandas folclóricas, um grupo de danças de salão, duas bandas de rock e um movimento de libertação de javalis em cativeiro.

Bezunta aparece-nos aqui mais uma vez disfarçado, de acordeonista ligeiramente aborrecido com a desafinação da pessoa à sua direita. O acordeão é um modelo especial “Paolo Soprani” com dispositivo de comunicação rádio incluído e distribuidor de ampolas de Arsénico para o caso de serem apanhados pelas brigadas de Aristides Gorgulhão.

Os Cangalhas de Alfaçoita 2
Imagem ampliada da fotografia original

Maia, Julho de 1968


Congregação de Salmonel- Albano Taborda

Janeiro 26, 2007

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Albano Taborda, iniciou a sua carreira na Polícia Internacional e de Defesa do Estado na 4ª Direcção (Direcção dos Serviços Administrativos), Secção de Tesouraria, como auxiliar administrativo de 3ª classe. Apesar de nem a 2ª classe ter, a sua ascensão na carreira foi meteórica, não por mérito, mas por um grave problema de flatulência. A única vaga existente com um gabinete suficientemente arejado e constantes saídas para o exterior, foi na 3ª Direcção (Direcção do Serviços de Estrangeiros e Fronteiras) como vigilante de 2ª dissimulado de Boi. Foi destacado para o posto fronteiriço de Sendim, sob o comando táctico de Aristides Gorgulhão.

Sendim, Maio de 1972


Congregação de Salmonel- Posto Fronteiriço

Janeiro 25, 2007

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Aristides Gorgulhão, PIDE Alfarrabista, Director da Cadeia de Peniche de 1964 a 1968, em missão de vigilância, dissimulado de pastor, na vila fronteiriça de Sendim.

Foi nessa altura que Aristides tinha na sua brigada Albano Taborda, estando este disfarçado de Boi. Albano Taborda após a revolução, efectuou uma extraordinária fuga para os Estados Unidos, galgando o oceano preso a uma bóia do Tio Patinhas, com uma ventoinha de bolso a fazer de motor de bordo. Ao chegar, fez dos seus atributos físicos um modo de vida, dedicando-se à luta livre, tendo utilizado o nome artístico de Tarzan Taborda.

Sendim, Abril de 1971


Congregação de Salmonel-Minho Undercover

Janeiro 25, 2007

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Aristides Gorgulhão, PIDE Alfarrabista, Director da Cadeia de Peniche de 1964 a 1968, em missão undercover no alto Minho depois de ter recebido uma denúncia por parte de Marianela Porcalhota, bufa e padeira de profissão, de que Bezunta estaria de visita a Concujães de Cima. Concujães de Baixo, Fevereiro de 1970.


Congregação de Salmonel, TV Salmonel – Dia Zero (e último)

Janeiro 25, 2007

Congregação de Salmonel, TV Salmonel - Dia Zero (e último)

Bezunta, líder sindical especialista em sabotagem. Abril de 1970 foi a data escolhida para os testes da TV Pirata que ia revolucionar o país. Com transmissores escondidos em 3593 chaminés de Portugal, a infraestrutura havia sido implantada com sucesso. No entanto os testes técnicos revelaram-se um fracasso, como se pode ver por esta captura de ecran. As câmaras eram fracas, os estúdios mal dotados e os recursos humanos eram mal preparados, constituídos principalmente por empregados das finanças com pouco sentido de humor.

Bezunta aparece aqui a apresentar um programa de “História Moderna de Portugal”. Como era especialista em disfarce, tinha quase 60% da programação por sua conta, com vários alter-egos. Aqui aparece disfarçado de Português classe alta com quintas em Angola, com vários filhos mestiços fruto de testes de controlo de qualidade à criadagem (lado esquerdo).

Foi neste mesmo dia que um jovem rapaz aspirante a estrela de TV viu estes testes, e a performance de Bezunta seria a inspiração para esse rapaz que depois se tornou estrela nacional, usando sempre secretamente o estilo Bezunta. O jovem rapaz era, obviamente, Luís Pereira de Sousa. S. Brás de Alportel, Março de 1970


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