Aristides Gorgulhão, PIDE Alfarrabista, Director da Cadeia de Peniche de 1964 a 1968. As constantes metamorfoses e diversidade de métodos utilizados pelas células terroristas na década de 60 e 70, implicavam uma constante actualização do modus operandi policial. Graças à falta de cooperação do Estado Novo com os restantes países da Europa, a Policia Internacional de Defesa do Estado estabeleceu protocolos de cooperação com a CIA, embora com uma enorme dificuldade logística associada. Como os agentes faziam parte integrante do Ministério da Administração Interna, só teriam direito a um passe da Carris, o que lhes permitia no máximo, ir até o Barreiro, ficando o ónus do restante trajecto para o Centro de Treino Intensivo da CIA em Langley, a cargo dos agentes interessados. Mais tarde este facto foi responsável para que se confundisse actos de tortura e a extorsão de que muitos agentes ficaram afamados, com a virtuosidade de um funcionário público, que auto didacticamente se substitui ao papel do Estado em financiar a formação profissional dos seus colaboradores. Aristides e Albano, após confiscarem vários volumes de tabaco espanhol, chouriços de Fermentelos e alheiras de Mirandela na aldeia fronteiriça de Sendim, juntaram os rendimentos obtidos da venda de 500 garrafões de aguardente provenientes de uma operação de fiscalização a uma vacaria em Chelas e a uma quantia nunca revelada, de uma operação de fiscalização a um bacalhoeiro atracado no porto de Leça da Palmeira (que seria o suficiente para pagar a viagem a todo o departamento policial de Lisboa e Porto), rumaram a Langley para integrarem um curso de formação profissional para agentes da lei. Durante o curso adquiriram conhecimentos de novas técnicas de vigilância com alta tecnologia, recorrendo apenas aos óculos graduados do agente Augusto Zarolho, dois copos de iogurte e um cordel, a estratagemas para apanhar terroristas utilizando duas cordas e um balde e à utilização de um relógio de joelho tecnologicamente evoluído para a época, que servia para contabilizar o tempo que era utilizado pelos agentes com contrato de tarefa e a recibo verde, durante o interrogatório aos oposicionistas do regime, razão pela qual, acidentalmente os detidos consumiam reiteradamente joelhadas nos queixos. Albano Taborda teve simultaneamente aulas de canto, oferecidas pela famosa cantora lírica Nancy Gustafson. Seis meses mais tarde, todos os detidos reclamavam de ser submetidos a uma tortura de sono mas na verdade seria só Albano Taborda a exercitar os seus dotes vocais a cantar todo o reportório de Nel Monteiro.
Aristides em plena actividade prática


Publicado por rodrigopaxaxa 



