Congregação de Salmonel-Assalto ao Banco de Portugal

Fevereiro 1, 2007

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Reza a historia que uma brigada oposicionista, em 17 de Maio de 1967, liderada por Palma Inácio assalta a agência do Banco de Portugal na Figueira da Foz, desviando 29 mil contos. A partir destes fundos será criada a LUAR, mas a historia verídica não é bem assim.Estamos no início de Maio de 1967, Aristides recebe no seu gabinete da prisão de Peniche, um folheto publicitário de férias em época baixa no Mercure Hotel da Figueira da Foz. O preço era demais convidativo, cem escudos por noite, em suite para duas pessoas. – “Quem vou eu levar comigo?” pensou Aristides olhando para uma fotografia de um boi albino na sua secretaria. –“só se for o Albano…” pensou ele. Depois de malas feitas, tudo a caminho. No seu Volkswagen 1300, lá foi Aristides e o seu comparsa a caminho da Figueira da Foz. Já a sair da cidade de Coimbra, Aristides lembrou-se de que só tinha dinheiro para a estadia e faltava para as refeições, casino, meninas, etc. –“Albano, tens quanto dinheiro contigo?”. –“dinheiro ??, ó shôr Director, eu pensava que não era preciso trazer dinheiro. Deixei o par de peúgas onde guardo as notas na gaveta da cómoda.” Aristides foi todo o caminho a pensar o que haveria de fazer. Depois do check in, Aristides e Albano atiram-se vorazmente ao Buffet do restaurante do hotel sem se preocuparem minimamente com a conta. Seguidamente vão para o casino, onde todos os funcionários do partido tinham conta aberta e a folia durou toda a noite. Ao início da manhã, as dividas ascendiam a mais de setecentos contos. –“Ò shôr Director, acho que ainda bamos parar ao Tarrafal”, disse Albano. –“Cala-te ò meu totó do caraças, até ao fim da tarde eu resolvo isto com a maior das calmas”.

Aristides dirigiu-se para a agência bancária mais próxima do Banco de Portugal e tentou pedir um empréstimo para habitação, com taxa de juro bonificada, em nome de um tal Palma Inácio. O gerente pediu-lhe o bilhete de identidade, já que com aquele boi do Albano a babar-se constantemente ao seu lado, ficou meio apreensivo. A história do empréstimo não pegou e Aristides fez o seu habitual sinal de piscar os dois olhos e puxar a orelha esquerda ao seu discípulo, Albano rapidamente desferiu um Dropkick seguido de um BackSlam na cabeça do gerente. Só faltou carregar os sacos com todo o dinheiro que havia por perto e a peripécia rendeu mais de dois mil contos.

Para seu espanto, os periódicos do dia seguinte, faziam um grande alvoroço sobre um grande assalto à agência do Banco de Portugal por uma brigada oposicionista e que tinham roubado vinte e nove mil contos. – “Olha o sacana do gerente! Ò Albano, abre as malas é tira o dinheiro das peúgas que já podemos ir gastar o troco”.

Figueira da Foz, Maio de 1967


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