Congregação de Salmonel – O caso Alarcão Lombarda

Fevereiro 4, 2007

O caso Alarcão Lombarda

Bezunta, líder sindical especialista em sabotagem. Alguma confusão existe acerca do incidente que vitimou Dr. Oliveira Salazar em 1968. Uma das causas dessa nuvem de dúvida deve-se a um artigo publicado por essa altura no jornal comunista “Asas de Serralheiro”, publicado e impresso em Paris na década de 60. Era um jornal ilegalmente distribuído em Portugal conhecido pelas sua secção de anedotas e o horóscopo chinês. O horóscopo soviético nunca foi grande sucesso devido ao facto de ser igual todas as semanas.

Na semana do acidente de Salazar, um editor do “Asas de Serralheiro” descobriu numa viagem de jornalismo de investigação que Bezunta era funcionário na altura na serração e carpintaria Alarcão Lombarda e Irmão. Teve depois acesso a uma lista de clientes, entre os quais constava o Estado português. Cego pela descoberta e obscurecido pela reputação de Bezunta, foi rápido a eleger o líder sindical especialista em sabotagem com o responsável pela queda da cadeira de Salazar. O problema é que negligenciou toda a informação do acidente, como por exemplo o facto de ele ter existido pela ausência de cadeira e não pelo uso de uma cadeira deficiente.

Rapidamente se espalhou a notícia de que o herói Bezunta era responsável directo pela primeira mudança de relevo da política nacional em décadas. Bezunta foi contactado para se apresentar num quartel general da resistência nacional, mas teve que adiar o acto de recepção das honras de heroísmo por se encontrar a meio do processo de envernizagem de um quarto de casal para o Palácio da Ajuda.

Ele bem tentou dizer que o trabalho de carpintaria não teria nada a ver com a sabotagem ao sistema, uma vez que andava a tentar ganhar dinheiro para pagar uma aposta de uma corrida de galgos, mas a excitação era tanta que as suas palavras foram sempre confundidas com modéstia.

Bezunta era um personagem verdadeiramente sobreavaliado, a quem sucessões de mal entendidos e alguma dose de promoção pessoal teriam criado sobre si uma aura de heroísmo exacerbado. Ao perceber que poderia ter ganho alguns pontos na subida da hierarquia acabou por acatar as ordens e ser coroado como herói.

Realçamos aqui uma famosa frase do seu discurso de agradecimento, em que fala acerca da eminente revolução: “Não é com pastéis nem alambiques, como outrora nos fizeram crer, é com coragem e uma dose certeira de embude que veremos nascer uma nova aurora, refreada por nostalgia do tempo em que o Homem era por si só uma sarlidea de perene brusquidão! A ribalta de secreto solstício.”

Buraca, Janeiro de 1969


Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.